Raw – ou sobre o cru e o cozido
 
O artista cru, a arte pura.
O artista falava do seu trabalho com o crítico de arte para uma platéia silenciosa, vestida de preto, imóvel. O artista, de pé durante toda a fala, defendia sua postura de não ficar sentado, de correr várias milhas diariamente, de só comer comida crua, que comidas cozidas fariam parte de uma memória afetiva em relação às nossas mães, irmãos, família. Concluo, o cru seria uma maturidade do ser, uma independência emocional.
Cru, em pé, além de uma fala sobre arte.
Faz parte do papel dos artistas com carreira consolidada se dar o direito de não explicar seu trabalho, de responder às questões do curador sem resposta alguma. Estratégias, oscilação entre cru e cozido.
Talvez a arte minimalista tenha deixado a herança e a utopia do olhar puro para a arte. Inúmeras exposições sem nenhuma indicação dos nomes dos artistas nem dos títulos dos trabalhos (quem quiser e tiver paciência, procure uma folha indicativa nos escritórios das galerias e encontre as informações). Entre pureza e utopia uma tentativa de tornar crua a experiência com o cozido.
Raw: arte cozida, visão e comida crua.
 
 
 
18 de julho de 2007