Entre as coisas e eu
 
As coisas existem independente das pessoas. As pessoas dão significado e valor às coisas. As coisas dão contexto para as pessoas.
Mas ambos são independentes um do outro.
O primeiro olhar para a casa fechada há meses foi de perceber que todas as coisas seguiram numa existência paralela a minha. Que minha vida não precisa das coisas nem estas da minha vida.
Ontem vi as coisas com respeito, como se observasse seres autônomos e serenos, com vida própria. Isso fez-me sentir desnecessária em minha casa – ao mesmo tempo em que a casa também pareceu desnecessária para mim.
Entretanto, para além das necessidades e existências individuais, escolho viver aqui, entre as coisas, uma convivência pacífica entre eu e os objetos.
 
 
Setembro de 2007