Revendo Picasso - MoMA  
 
    Nunca havia entendido de verdade o Picasso. Hoje vi pela primeira vez a pintura Les Demoiselles d’Avignon (no MoMA, NY) e fiquei absolutamente surpresa, emocionada, impressionada. Difícil explicar porque, mas tive a certeza de que essa é a pintura (ou uma das pinturas, agora não consigo pensar em outras) mais incrível do século XX. Não pelos narizes em diferentes ângulos – isso é besteira – nem pelas cores, ou influência de máscaras africanas.
    É só que o conjunto todo, toda pintura é tão bem resolvida, tão… tão difícil dizer porquê é uma grande pintura… talvez porque seja tão visual e tão perfeita em todas suas soluções (formal, cores, composição, etc) que só visualmente, vendo-a pessoalmente, seja possível entender sua relevância – vendo, sentido.
    Fazia muito tempo que eu não me sentia tocada por uma pintura, uma pintura moderna.
Visceral, não tanto uma emoção intelectual (emoção intelectual?).
    Talvez essa pintura de Picasso seja a culminação da Arte Moderna – enquanto Duchamp é a abertura da arte para o século XXI e para toda a arte contemporânea. Parece que Picasso revisitou a História da Arte (referências clássicas, simplificações, geometrizações, figuração, desfigurações) e passou a régua, encerrou um período. Duchamp abriu um novo capítulo.
 
(Hoje lembrei de uma maneira curiosa de como a arte moderna foi importante para mim quando comecei a me interessar por arte. Rever Miró, Max Ernst, por exemplo, em como sentia uma grande empatia e também como eu compreendia aquelas pinturas, de modo que já não compreendo hoje).
 
 
junho de 2007