Não conheci NY com o World Trade Center. Mas conhecer o buraco que a ausência dos edifícios deixou tem seu impacto. Não pela falta de grandiosidade – pois o terreno vazio ( ou melhor, em obras) dá a dimensão do que já esteve ali. Impressiona pelo que não está ali.
A estação de metrô World Trade Center é de uma dimensão hoje despropositada. É tão grande, espaçosa, nota-se que é uma estação para um grande lugar, para um grande fluxo, uma estação para algo que já não está ali.
Ao longo de vários corredores podemos avistar as obras que hoje estão no lugar dos antes monumentais edifícios. O vazio de uma tragédia que teve dimensões hollywoodianas – a ponto de levar algumas pessoas a pensarem que estavam gravando algum filme quando ocorreu a batida do primeiro avião.
O curioso é que quando se criou o elevador, Manhattan sofreu transformações. Permitiu, por exemplo, o crescimento da cidade para cada vez mais perto do céu, já que em extensão horizontal a ilha sempre foi limitada por suas características geográficas.
Se a tecnologia do elevador (como a de outros produtos) gerava grande excitação, ao mesmo tempo gerava um temor de que algum desastre viesse a ocorrer em decorrência dessa nova tecnologia. O autor Rem Koolhaas (de “Delirious New York”) comenta nos anos 70 que esse temor de uma desastre eminente em Nova York, paralelo ao desenvolvimento das tecnologias, que esteve sempre presente, ele nunca se concretizou. Vale lembrar que esse “nunca” foi dito em 1973 (??).
Como um inconsciente de Manhattan, “os desastres” parecem estar presentes desde sua formação, talvez como algo inevitável, como o grande temor dessa ilha.
Nova York foi desde seu início concebida como uma grande cidade, desde cedo com limitações geográficas (de dimensões) mas desde o início com o planejamento de ter a grade como a estrutura das ruas da cidade. New Amsterdam ainda não era uma cidade (parecia mais uma fazenda) mas já foi divida em praticamente toda sua extensão em forma de grade. Foi uma cidade construída com a visão de que ali seria uma grande cidade – lugar de visionários? Os morros da ilha foram aplainados, os terrenos divididos na forma de grade e, posteriormente, foi incluído um parque no centro da ilha (ainda em tempo, concebe-se que a cidade ficaria sem uma área de lazer para seus moradores, que seria algo saudável e salubre ter uma zona de repouso e descanso na cidade). Assim é concebido o Central Park, e assim também ele é construído: artificialmente. Árvores transplantadas, lagos e morros inventados, natureza controlada. Paraíso artificial.
O deslumbre com toda as construções humanas de Nova York não parece recente. Mas talvez conviver com a idéia do desastre eminente tenha sido renovada com a ausência das torres gêmeas. Como se esse espaço de controle ou espaço controlado tenha mostrado sua fragilidade – e da maneira mais cinematográfica possível, com efeitos tragicamente especiais.
(ACIMA: FOTOGRAFIA DAS OBRAS DO LOCAL ONDE ERA O WORLD TRADE CENTER, EM NOVA YORK.)
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