Dobra e repetição
2018

Em Dobra e repetição fotografias apropriadas de um livro sobre as montanhas dos Alpes são ampliadas e dobradas onde estaria posicionada a linha do horizonte. A porção de céu da imagem fica encostada na parede, enquanto o resto da paisagem fica disposta no chão. Um espelho encobre a paisagem, rebatendo a imagem de céu da fotografia impressa.

A construção cultural da paisagem aparece aqui como elemento central: a linha do horizonte é geometrizada e alinhada com o encontro da parede com o chão; as fotografias de paisagem são encobertas de modo que o lugar representado não é mais reconhecível, restando apenas os pedaços de céu das imagens.

A dobra de uma linha do seu início até o seu ponto extremo desenha uma operação de fechamento, assim como também pode indicar o início de uma repetição. É o princípio da circularidade. Aqui – como em outros trabalhos da exposição onde o trabalho foi primeiramente exibido (Antes, e ainda agora) – há uma menção a um processo cíclico que se faz a partir das relações entre natureza – construção – cultura, dentro de um processo de repetição onde o que parece ser natural já é resultado de uma construção cultural.

Assim, expandem-se (ou confundem-se) as aproximações entre aquilo que é natural e artificial. Nesse sentido, a paisagem ou as representações dos lugares interessam enquanto compreendidas como uma construção cultural, que podem, com o tempo, serem sedimentadas e voltarem a parecer natureza.

Fotografia e espelho | 80x100x30cm | 2018