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Marina Camargo


Paths of Creative Understandings - Marina Camargo’s Exploration of Language
por Jenelle Davis
Entre Ler e Ver
por Eduardo Veras (2009)
Sobre Mundos Paralelos
por marina camargo
Desenho contemporâneo: Como Marina Camargo desenha um sentimento
por Alice Monsell
Geração 80: artistas visuais são os personagens do debate
por Eduardo Veras
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Desconstruindo e reconstruindo percursos
por Paulo Neves (2008) (english version below)
Palavra figurada
por Eduardo Veras (2007)
Mundo
por Marina Camargo (2006)
Arte, ritual y lenguaje - 6 artistas sobre un tema
por Teresa Bigorra (2005)
Marina Camargo _site Fundação Ibere Camargo
por Camila Gonzalo (2005)

Marina Camargo foi uma das artistas selecionadas na Bolsa Iberê Camargo para receber

destaque na revista digital. Conheça seu trabalho

 


 


Marina Camargo, 25 anos, foi selecionada na Bolsa Iberê Camargo 2005, para receber destaque no site da Fundação. A artista apresentou o projeto En Busca del Conejo en la Luna, que seria desenvolvido na Sala de Arte Publico Siqueiros e Galeria Garash, no México.

 

O projeto foi pensado a partir de uma pesquisa sobre a história da formação da Cidade do México. O título parte de uma crença dos mexicanos em ver na face da Lua a imagem de um coelho. “Há uma tradição que remonta aos Incas, os quais explicavam a origem dessa imagem numa lenda que ultrapassou culturas e ainda se mantém. Além da sobreposição dessa imagem sobre a Lua (percepção específica da cultura mexicana), há ainda a sobreposição da atual Cidade do México que foi construída sobre a antiga Tenochtitlan, que por sua vez foi construída sobre um lago. O projeto remete a uma procura, um resgate das culturas que foram sobrepostas naquele país através da metáfora da imagem do coelho na Lua. A idéia se concentra em trabalhar com essas sobreposições, que também é um procedimento recorrente em meus trabalhos”, explica Marina.

 

A artista é nascida em Maceió, mas vive em Porto Alegre desde criança. Foi no Rio Grande do Sul que estudou Artes Visuais, na UFRGS. Seu primeiro trabalho exposto foi em 1997, no Projeto , e em, 2001, a artista participou de sua primeira coletiva, Nitratos, na Casa de Cultura Mario Quintana. Desde de então, Marina participou de mais quatro coletivas e duas individuais, sendo Coletas Caligráficas, apresentada no Centro Cultural Brasil Espanha, em 2003, a individual mais recente da artista.

 

Sobre o seu início, Marina destaca a importância que o desenho teve em sua formação e nos primeiros trabalhos. “Quando me refiro a desenho não só falo do desenho sobre papel, mas uma idéia ampliada do que pode ser o desenho, acrescida de outras possibilidades formais e conceituais. É pensar o desenho não como uma categoria fechada em si mesma, mas antes como uma área ampla a ser explorada e reinventada. Acredito que, de alguma maneira, meus trabalhos acabam sempre dialogando com essa origem”, afirma.

 

Já nos seus primeiros trabalhos, pode-se ver seu interesse pela tipografia. Segundo Marina, esse interesse foi despertado em uma situação inusitada: durante uma apresentação de um trabalho em retroprojetor, as letras da transparência começaram a cair. “Percebi o quanto as letras como unidades autônomas me interessavam, o quanto as letras podem ser percebidas de outras maneiras que não só formando palavras”, conta. O seu interesse maior está em perverter o significado das letras através de sua visualidade, “a idéia de alterar a significação dos códigos com a sua desconstrução/reconstrução”.

Mas, Marina também ressalta que mesmo transformadas em desenhos, é importante que as letras ainda sejam vistas como letras.

 

Em 2004, Marina realiza três projetos que envolvem tipografia, desenho e cartografia, Mapa I (Paris), Percursos em Marte e Cidades Apagadas. “O interesse pelos mapas é decorrente da experiência de viver em outras cidades ou visitá-las. Por serem desconhecidas, provocam uma certa desorientação que convida a uma apropriação desses lugares. As caminhadas pelas cidades e seus mapas são uma maneira de eu me ‘apropriar’ das cidades. É claro que logo a desorientação se torna hábito e a cidade onde estamos tende a se tornar invisível para nós. Mas esse processo de apropriação e reconstrução é uma maneira de fazer presente essa desorientação. Os deslocamentos  guardam em si a capacidade de fazer-nos perceber o que já não vemos por causa de sua presença constante”, explica. Além dos mapas serem elementos gráficos, de acordo com Marina, eles são um código para a cidade, como a letra para a escrita.

 

Também em 2004, a artista realizou uma pós-graduação em cultura visual em Barcelona e, em 2005, participou da exposição Usos Rituais – més enllà del lenguatge, no Centre Cívic Can Felipa, em Barcelona. “Foi uma experiência fundamental por trabalhar com outros olhares que não apenas os voltados para arte, mas que ao mesmo tempo provocam outras percepções e alterações na minha produção em arte”.

 

Sobre novos, projetos, Marina está concluindo um vídeo que fez a partir de uma montagem de fotos de souvenir do vulcão Vesúvio, está participando de um projeto da revista Inútil, que será lançada em novembro, e ainda está preparando uma exposição para este ano. “Estou dando continuidade a propostas com as quais venho trabalhando, buscando aprofundar a pesquisa que venho realizando sobre a manifestação de um desenho que não percebemos, mas está ali. A proposta de trabalhar com o alfabeto árabe tem me fascinado: o interesse surgiu em uma viagem ao Marrocos, em que vivenciei a experiência de ver em um alfabeto apenas desenhos. De lá vieram materiais, mapas, referências que tenho explorado atualmente”, antecipa. Trabalhos recentes da artista podem ser vistos no seu site www.marinacamargo.com


TEXTO PUBLICADO NO SITE DA FUNDAÇÃO IBERÊ CAMARGO, EM 2006.


 



 

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