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Marina Camargo


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Sobre Mundos Paralelos
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Arte, ritual y lenguaje - 6 artistas sobre un tema
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Palavra figurada
por Eduardo Veras (2007)



LETRAS CAINDO, Marina Camargo


   Qualquer texto escrito – este texto mesmo, este que você começa a ler agora – é texto e, ao mesmo tempo, é imagem. A mancha que ele demarca sobre o papel, cada linha, cada palavra e cada letra conformam alguma coisa que é escrita e que é figura. Fosse a gente procurar formas no que está escrito como quem procura bichos nas nuvens, haveria de encontrar um ovo em cada O, uma serpente em cada S. É uma obviedade que se faz ainda mais evidente quando nós, no Ocidente, nos deparamos com a caligrafia chinesa. Escrever é desenhar. Já virou lugar comum sorrir, desde o teclado, com dois pontos e um D maiúsculo. Mas não é só isso que ata o par palavra/imagem.

    Acresce que as palavras fazem sentido, diferentes sentidos numa mesma palavra. E, mesmo quando os sentidos escapam, sobram as sugestões, as imagens e as metáforas. Ainda há mais: o que não pode ser dito mas pode ser mostrado, aquilo que se vê e não se consegue dizer – e que, no entanto, de alguma forma se diz. E o fato de que um e outro, texto e imagem, nunca se acomodam totalmente um no outro.

    Dizia Michel Butor que um muro, erguido pelo conhecimento, separa palavra e imagem. O que ajuda a derrubar esse muro, segundo o poeta, são as obras – os trabalhos de arte – que inserem a palavra no campo da arte.

    São imagens/palavras dessa natureza que se agregam nessa Palavra Figurada. Marina Camargo toma o texto nas mãos e, no cubo branco da galeria, destaca o branco das entrelinhas. Gerson Reichert faz o texto de suporte, para, em seguido, escondê-lo e amassá-lo, texto feito figura, estampado na revista. Elida TesslerGlaucis de Morais reafirma o descompasso, a tensão permanente, entre o que se vê e o que se enuncia, entre o que se inventa e o que se re-inventa, novas estratégias para o real. Téti Waldraff toma o texto nas mãos, também ela, para, enfim, redistribuí-lo como um convite, um imperativo utópico, o desejo de fazer raiar um novo dia:

    Dê alegria!

    Porque a palavra convida a figura, e a figura chama a palavra.

recolhe palavras como quem preserva segredos, o que cada uma delas diz e também o que não diz, a palavra como indício – não de algo que se quer preservar – mas de algo que não se consegue esquecer.

EXPOSIÇÃO NA GALERIA ESPM, EM PORTO ALEGRE, DE 10 DE OUTUBRO A 10 DE NOVEMBRO DE 2007, COM CURADORIA DE EDUARDO VERAS.




 

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